Suspensão de autorização de aplicativo interfere na rotina de diabética baiana

A facilidade de ter sempre à mão, ou pra falar com mais exatidão no pulso, o nível glicêmico, dispensando uma série de agulhadas diárias, mudaram a vida da baiana Taís D’Almeida Santangelo, 39 anos. Há 16 anos ela convive com a diabetes tipo 1 e precisa usar insulina todos os dias.

Um aplicativo instalado no celular, espelhado no relógio de Taís e conectado via Bluetooth com o sensor freestyle, aparelho de medição de glicose, permitia que ela acompanhasse o nível glicêmico em tempo real, apenas olhando para o pulso. Entretanto, no início do mês de abril Taís e outros 27 mil diabéticos de 94 países do mundo foram surpreendidos pela revogação do certificado do aplicativo Spike para celulares da marca americana Apple, os iPhones, e ficaram sem o auxilio proporcionado pela ferramenta de controle glicêmico.

O desenvolvedor do aplicativo apontou que o número de pessoas afetadas pelo cancelamento do app no Brasil foi em torno de mil. Taís D’Almeida contou que o aplicativo travou em um nível glicêmico, ela tentou atualizar e reiniciar, mas nada acontecia. Foi então que outras pessoas começaram a relatar o problema em um grupo de troca de mensagens entre pacientes diabéticos. “Eu usava e de uma hora para a outra ele parou de funcionar, de reconhecer o sensor. E depois apareceu uma mensagem indicando que o Spike estava inativo”.

“Depois de 24 horas sem [o Spike] funcionar, eu vi em um site que o aplicativo estava com problemas”, relatou a analista de sistemas. Taís definiu o sentimento quando notou que a ferramenta não estava mais funcionando como “desesperador”. “Nesse tempo que ficou fora eu fiquei pensando ‘Ah meu Deus, será que não vai ter mais?'”.

O aplicativo Spike estava disponível para download há pouco mais de um ano, desde fevereiro de 2018. De acordo com a Folha de S. Paulo a ferramenta foi barrada pela Apple porque era disponibilizada através da App Center, loja de aplicativos paralela à Apple Store, que é a loja oficial da marca. Conforme apuração da Folha, a App Center abriga softwares desenvolvidos por empresas para uso exclusivo de seus funcionários, ao menos em teoria. Esses apps não podem ficar disponíveis a todos os interessados, como era o caso do Spike.

Depois do susto da suspensão do Spike, a tecnologia mais uma vez ajudou a baiana. Através da internet ela recebeu sugestões de outro aplicativo para o acompanhamento dos níveis de glicemia, e agora está se habituando a nova ferramenta.

Os benefícios da tecnologia na qualidade de vida dos diabéticos foram evidenciados por Taís. Ela lembra que antes dos sensores, aplicativos e bombas de insulina sofria com furos nos dedos e no corpo várias vezes ao dia. “Meu dedo até hoje é grosso de tanto furar”, constatou ela, que ainda destacou a importância do conhecimento sobre a doença e do acompanhamento dos valores glicêmicos.

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