Senadores baianos divergem

Os senadores baianos Lídice da Mata (PSB) e Otto Alencar (PSD) divergem sobre o decreto que instaurou intervenção militar no Rio de Janeiro. A medida será votada nesta terça-feira (20), no Senado, após ser aprovada na Câmara dos Deputados na segunda (19)  Em entrevista ao Bahia Notícias, a socialista declarou que vai votar contra o decreto, criticado por ela. “Há uma clareza entre os especialistas e as próprias comunidades que estão sendo atingidas do perigo e dificuldades que isso pode causar. Ninguém tem duvida da crise de segurança pública no Rio. Mas, se você não trata as raízes e as causas, as consequências vão se acumulando”, afirmou a parlamentar baiana. Ainda na avaliação da senadora, a intervenção violou a Constituição, já que o Conselho da República não foi consultado pelo presidente Michel Temer (PMDB) sobre o assunto, e está sendo usada apenas de forma política, para tentar levantar a quase nula popularidade do peemedebista. “Me parece que tem [a intervenção] mais um conteúdo político-eleitoral, para salvar um governador que mostra sua inapetência de governar, e a própria popularidade do presidente para gerar sensação de segurança”, atacou Lídice. A parlamentar concordou que a medida deve gerar uma sensação de segurança na população inicialmente, mas, a médio prazo, não vai trazer solução para os problemas na área no estado. “O governo tem que debater um plano de segurança nacional para o país. Os próximos governantes devem fazer isso. O governo Temer é um governo irresponsável, que não tem a confiança do povo para medidas tão radicais”, criticou. Já Otto Alencar também acredita em um viés político na intervenção, mas ponderou a necessidade da medida para inibir a criminalidade. Por isso, votará a favor do decreto. “Eu olho pela necessidade do povo carioca de ter segurança, que não tem há muito tempo. É uma forma midiática de tentar, no último suspiro dele [Temer], melhorar a popularidade. Mas, de alguma forma, vai inibir a bandidagem, a morte de policiais, de inocentes por bala perdida”, afirmou. No entanto, ele defendeu que a intervenção deveria ser em todo o estado, não somente na área da segurança pública. “O que acontece no Rio são 12 anos ininterruptos de roubalheira, de desfalque aos cofres públicos. Vai continuar a corrupção na saúde, na educação, nas instituições. Aquilo ali é uma cleptocracia, governo de ladrões. Não vou votar a favor de uma solução para o estado. A solução deverá vir na eleição de outubro”, declarou. O senador Roberto Muniz (PP-BA) foi procurado, mas não foi localizado para falar sobre o tema. 

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