Neto e os blocos

Nos últimos anos, a discussão sobre a inclusão de trios sem corda na programação do Carnaval de Salvador se aprofundou. Porém, em 2018, algumas pessoas começaram a questionar se este não seria o fim dos blocos na folia baiana. Para o prefeito de Salvador, ACM Neto, esta não é uma opção. “Eu gosto de lembrar que quem começou a baixar as cordas foram os próprios blocos. O primeiro foi o bloco Eva, na época que Saulo tocava na banda. Aquilo deu tão certo que passou a ser um movimento. Claro que a prefeitura compreendeu, viu que a população queria isso e transformou isso em uma permanente ação, e ampliada a cada ano. Agora eu queria reforçar: nós não temos nenhum interesse em competir com os blocos de Carnaval. Os blocos são essenciais para a cidade. Tanto que eu tive o cuidado de só anunciar as atrações que iriam desfilar em trios sem corda uma semana antes do Carnaval, para não dizer que a prefeitura está tirando público dos blocos. Agora entendam que a decisão de comprar um abadá e ir atrás de um trio elétrico dentro de um bloco não depende da prefeitura. Depende do próprio associado”, argumentou. Neto citou blocos que saíram este ano, como Camaleão, Me Abraça, As Muquiranas e Praieiro, que estavam “lotados”, mas avaliou que o trio sem cordas “veio para ficar”. “É o desejo do folião. Não é a prefeitura que pode mandar ou desmandar nisso. E não há porque ter essa discussão de que uma coisa exclui a outra”, reforçou. “[A pipoca] Abaixa o custo do folião e tem um impacto na diminuição da violência, porque dá mais espaço na rua. Agora os blocos vão continuar existindo, vão continuar a ter seu nicho econômico. E para a cidade é absolutamente fundamental”, completou. Segundo Neto, para um bloco dar certo é preciso avaliar algumas variáveis, como o “momento” do artista, e exemplificou que Bell Marques saiu um dia com trio independente e outros cinco com  Vumbora e Camaleão “lotados”. “Agora o meu dever, a minha responsabilidade, é garantir que haja conteúdo no Carnaval. Imagine se a prefeitura fica de braços cruzados e os blocos deixam de existir. Acaba o Carnaval. Qual minha obrigação? Garantir que a gente tenha de quinta até terça-feira atrações desfilando e fazendo a festa”, concluiu. 

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