Jutahy pedra na sapato

O deputado federal Jutahy Magalhães Jr. (PSDB) é considerado o grande empecilho para que a chapa da oposição tenha o também deputado federal Irmão Lázaro (PSC) como segundo candidato ao Senado do grupo. Apesar dos tucanos rechaçarem qualquer interferência de Jutahy Jr. nesse processo, os aliados admitem fora dos registros que apenas ele tem colocado dificuldade para que Lázaro seja anunciado como candidato à Câmara Alta. Deputado federal há mais de 30 anos, o tucano quer encerrar a carreira pública com um último voo político e considera que o social-cristão é um obstáculo para uma eventual eleição. Lázaro foi uma surpresa nas eleições de 2014, quando foi o terceiro mais votado, é reconhecido facilmente como cantor e ainda abarca a parcela eleitoral dos evangélicos, cuja fidelidade política pode ser observada com as expressivas votações que representantes do segmento possuem. Com a representatividade extra de ser negro, o que já é ainda mais raro no espectro da centro-direita. O tucano quer quebrar ainda a lógica de que o governador elege os dois senadores e tenta concorrer a segunda vaga diretamente com Angelo Coronel (PSD) – a primeira vaga é praticamente garantida para o ex-governador Jaques Wagner. E ainda tem a senadora Lídice da Mata (PSB), correndo por fora, para tentar a reeleição. Nessa situação, o parlamentar do PSC torna-se uma ameaça real para a tentativa de Jutahy alçar voos maiores ou pendurar as chuteiras políticas com uma desculpa aceitável. Segundo aliados, Jutahy Jr. teme que Lázaro polarize essa disputa com o presidente da Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) e o deixe amargar uma posição incômoda para alguém com tradição familiar na política: a última. Como a “guerra santa” entre PSC e PRB sobre a indicação de um nome para a chapa majoritária teve uma bandeira de paz levantada há alguns dias, resta apenas convencer o tucanato que Lázaro pode agregar mais como candidato ao Senado do que na vice. O contra-argumento de que haveria a eventual transferência de votos entre o parlamentar e Zé Ronaldo (DEM), caso Lázaro estivesse na vice, é uma das bases para que o PSDB não admita que o cantor possui um potencial eleitoral muito mais inexplorado do que Jutahy. Porém essa lógica não necessariamente se traduziria nas urnas, algo bem caro ao grupo que enfrenta a máquina administrativa do estado e um governador bem avaliado como candidato à reeleição, como é o caso de Rui Costa. Por enquanto, nos orbes do maior grupo de oposição ao petista, Lázaro é o mais provável candidato ao Senado. E, nesse caso, não é preciso combinar com os russos. Basta combinar com Jutahy Jr.

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