FIFA

A seleção da China não se classificou para a Copa do Mundo de 2018. Mas Pequim estará bastante presente nos campos do Mundial que começa na próxima quinta-feira. “Agora é o nosso momento”, diz o slogan de uma das empresas do país asiático que passou a patrocinar o maior evento esportivo do planeta. Documentos confidenciais da Fifa obtidos com exclusividade pelo Estadão revelam que, apesar do escândalo de corrupção que assolou a entidade nos últimos três anos, as projeções internas dos auditores apontam para uma receita de US$ 6,12 bilhões (cerca de R$ 22,7 bilhões) com a Copa do Mundo. O valor é US$ 500 milhões acima do que a entidade máxima do futebol faturou em 2014 no Brasil. Internamente, o resultado é considerado como um “oxigênio” fundamental diante da turbulência política que ainda vive a entidade. Os dados foram apresentados neste sábado em uma reunião a portas fechadas do Comitê de Finanças da Fifa. Membros da organização e as 209 federações nacionais de futebol apenas receberão esses dados a partir de domingo. Se o alívio era claro diante do resultado, nem sempre esse foi o caso nos últimos anos. Diante da queda de Joseph Blatter, da prisão de cartolas e uma crise de credibilidade, empresas americanas e ocidentais passaram a evitar contratos com a Fifa. Contratos que foram encerrados não tiveram uma renovação. A Fifa chegou a registrar uma perda acumulada de US$ 370 milhões nos últimos anos, inclusive com uma conta a pagar para advogados de mais de US$ 60 milhões para se proteger em diversos tribunais. Mas o espaço deixado pelas marcas ocidentais foi ocupado por empresas chinesas e asiáticas. No total, a Fifa conseguiu US$ 1,65 bilhão apenas de patrocinadores. Tradicionais marcas que tiveram uma participação chave na história das Copas desde os anos 70 agora dividirão espaços com os iogurtes e sorvetes da chinesa Mengniu, os telefones da também chinesa Vivo, da fabricante de televisores Hirense, além da scooter da Yadea. Mas nenhuma delas supera o investimento que o conglomerado chinês Dalian Wanda está fazendo. Seu presidente, Wang Jialin, um dos homens mais ricos do mundo, já deixou claro que sua entrada na Fifa atende até mesmo um pedido do governo chinês de “apoiar o futebol”. Para 2030, a China quer sediar a Copa do Mundo e, até 2050, ter uma seleção competitiva. A Dalian Wanda conta com hotéis, fábricas de iate de luxo, serviços e dezenas de outros produtos. A mesma empresa ainda é uma das operadoras autorizadas pela Fifa para revender direitos de TV na Ásia. Com o interesse chinês, membros do Comitê de Finanças da Fifa não disfarçam a surpresa diante de sulcados que superam a meta inicial em cerca de 8%. O resultado é um saldo positivo para a entidade, que nos últimos quatro anos destinou US$ 5,6 bilhões em investimentos e custos. A projeção é de que as perdas com o escândalo de corrupção sejam apagadas. E, em tom de brincadeira, muitos nos corredores da entidade já agradecem em chinês.

 

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