De Brasília para o carnaval do Rio: Musa da Tijuca entrou no samba por curiosidade e se apaixonou

Aos 32 anos, Larissa Neto hoje vive do samba. Musa diz que confia em personal e esteticista para manter o corpão: ‘não quero nem saber, só quero resultado’.

Quem pensa que candango não sabe sambar, está muito enganado. De Brasília para o carnaval do Rio de Janeiro, a musa Larissa Neto, da Unidos da Tijuca, mostrou para todo mundo que tem muito samba no pé. Para todo o mundo mesmo, já que a morena fez do samba o seu trabalho e conseguiu conhecer pelo menos seis países só fazendo shows. Hoje, a musa também é dançarina do cantor Dudu Nobre.

Com 1,72 cm de altura e cheia de charme, Larissa esbanja simpatia. Publicitária de formação, aos 32 anos, ela diz que conta com a ajuda de uma personal e uma esteticista para manter o corpo perfeito para o carnaval.

“Agora eu começo a fazer um trabalho mais intensivo com uma personal, mas eu sempre malhei porque eu trabalho com dança o ano todo, viagens e tudo mais, a gente tem que tentar manter. Esse ano eu estou até bem mais disciplinada, porque eu não era não. Eu faço tratamento estético lá em São Gonçalo. Faço corrente russa, ‘pump’, o que a Angélica, minha esteticista, falar eu faço. Minha personal Andreia também, fala ‘isso aqui é bom’, eu estou fazendo, não quero nem saber, só quero resultado”, disse Larissa.

1) Como começou a sua história no samba?

Eu sou de Brasília, mas moro no Rio há mais de 10 anos. Comecei desfilando em um carro por convite de uma amiga. Bem crua. Não conhecia o carnaval, não tinha noção nenhuma de como era. Comecei por brincadeira e curiosidade, mas aí me apaixonei e comecei a desfilar em uma escola de São Gonçalo, onde eu moro. Foi na Porto da Pedra que eu comecei a conhecer as pessoas. Fui por vontade própria e cheguei aqui [na Unidos da Tijuca] através de uma outra musa, a Patrícia Chelida. Ela que me trouxe pra Tijuca, me apresentou tudo. Eu fui ficando e estou até hoje.

2) Dos sete anos que você já desfila na Tijuca, teve algum carnaval inesquecível pra você?

Foi o ano do sorriso, em 2016. O primeiro ano foi bom, maravilhoso estrear, mas eu estava muito nervosa, primeiro ano como musa, a gente fica muito ansiosa, então eu acho que não curti muito na avenida. No segundo ano, eu já estava mais à vontade, mais segura, aí eu me diverti muito mais que foi o ano do sorriso.

3) Você já deixou de desfilar em algum ano?

Não. Eu sempre desfilei na escola. Nunca mais consegui parar, desde quando comecei, nunca mais eu consegui parar. Mesmo que não era em posto de musa, destaque, mas eu queria estar de alguma maneira participando daquela festa. Eu trabalhei, uma época, em camarote na Avenida e mesmo assim eu desfilei. Saía correndo do trabalho, dava um pulinho lá, desfilava, escondia a fantasia no camarim, voltava a trabalhar. Nunca mais eu consegui me desvencilhar, não me lembro mais como era minha vida antes [dos desfiles].

4) Esse ano a escola também tem uma auto-cobrança por conta do acidente que aconteceu no ano passado, quando o topo do segundo carro cedeu e feriu integrantes. Como vocês vêm para avenida?

Foi uma fatalidade, infelizmente. Por tudo o que aconteceu no ano passado, esse ano a gente está com sede de campeonato, a gente quer voltar nas campeãs, quer fazer parte dessa festa como a gente sempre fez. A Tijuca é uma escola que sempre tem uma surpresa, sempre se destaca. Infelizmente, aconteceu a tragédia no ano passado, mas acho que só serviu pra gente vir esse ano com mais garra. A Tijuca é uma escola que faz a diferença quando ela passa. Todo mundo ano passado estava naquela expectativa, infelizmente a gente não conseguiu mostrar. E esse ano a gente vai conseguir, vai dar tudo certo e a Tijuca vai conseguir brilhar como ela sempre brilhou.

5) Você tem algum ídolo anônimo na escola?

A Patrícia Chelida. Eu tenho uma admiração muito grande por ela. A Patrícia, além de ser minha amiga, ela é uma pessoa que tem um nome muito forte no carnaval. Ela sempre me ensinou muito. Ela me instruiu a ser musa, deu puxão de orelha quando tinha que dar, me instruiu a tudo desde quando eu entrei aqui e até hoje ela dá uns toques pra gente. Sempre me inspirei muito nela

6) Como é a sua rotina com o carnaval?

É muito corrida, porque eu também faço show de mulata, trabalho com o Dudu Nobre e tudo mais, e nesse período de janeiro meu amigos reclamam muito. ‘Vamos fazer alguma coisa?’ e eu nunca posso. Começa a ficar bem corrido porque a gente também começa a ter um preparo físico, emocional, eu fico muito nervosa em véspera de desfile.

7) Por que você fica nervosa?

Porque eu quero que dê super certo. A gente tem que fazer dar certo. A gente tem um carnaval, a gente começa a trabalhar no carnaval em setembro, são várias pessoas envolvidas, são famílias envolvidas, são famílias que dependem do sucesso da nossa passagem ali, naquela uma hora na avenida. É uma pressão, você representa uma ala, você conta uma história na avenida.

8) O carnaval também virou uma fonte de renda pra você? É um trabalho e não mais diversão?

No início, eu não via dessa maneira, porque pra mim era um sonho, não era daquela maneira. Pra mim, era tudo uma brincadeira, eu não levava a sério. Depois eu comecei a investir em roupa, no meu corpo, e desde então o retorno veio. Virou uma fonte de renda. Hoje, eu viajo o mundo, eu conheço o mundo. Fiz uma turnê com o Dudu Nobre em setembro do ano passado. Nós fizemos o carnaval de Cabo Verde. Já virou parte da minha vida.

9) Tem algum ritual antes do desfile? Emocional ou físico?

Eu estou muito mais centrada esse ano. Esse ano de 2017 foi um ano que eu resgatei a minha espiritualidade. Acredito que isso vá me ajudar neste ano de 2018 nesse momento que eu fico muito nervosa. Eu sempre rezo muito, peço pra Deus que dê tudo certo, que não aconteça nada de ruim. O Brasil e o mundo inteiro está querendo ver um espetáculo naquele momento, eu torço eu rezo, faço um ritual de oração. No físico, a gente dá uma agachadinha pra perna ficar explodindo, pra ficar torneada. Mas tudo o que a gente faz ali a gente já fez o ano inteiro. Ali é só uma reforçada, tomo um energético.

Sim. É um momento também de protesto e de mostrar que, apesar dos pesares, a gente está ali resistindo, a gente está passando por um momento de violência, de dificuldade muito grande aqui no Brasil, mas a gente está em pé. Vai ser um carnaval marcado pela volta por cima. A gente vai conseguir fazer um carnaval lindo, porque é o que a gente faz com alegria. A gente está aqui para mostrar que a gente não vai desistir tão fácil. Este ano é um ano de eleições e é um momento de mostrar a nossa insatisfação. Não é porque o prefeito está fazendo isso tudo que a gente vai parar. Não adianta acabar com ensaio técnico, a gente vai mostrar do mesmo jeito.

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